Cirurgia da mama · Goiânia

Mastopexia Multiplanos em L: tudo que você precisa saber antes de operar

Um guia técnico em linguagem para paciente sobre o conceito brasileiro publicado na Plastic and Reconstructive Surgery, com base no estudo retrospectivo de 632 mulheres operadas pela técnica.

Quando uma paciente chega ao consultório dizendo que pesquisou “mastopexia em L em Goiânia”, ela quase sempre está falando, sem saber, de um conceito específico de cirurgia mamária: o Multiplane Concept, ou Mastopexia Multiplanos em L. É um conceito brasileiro, com publicações formais na principal revista científica de cirurgia plástica do mundo, e é a forma como a Dra. Giovanna Resende organiza boa parte das cirurgias da mama no consultório do Casal Resende, no Setor Marista. Esse texto é uma explicação completa, sem rodeio, do que essa técnica é, em quem ela é indicada, o que diz a literatura científica e o que, de fato, muda na consulta quando a cirurgiã aplica esse conceito.

A palavra “multiplanos” é a chave. Na mastopexia tradicional, a mama é tratada como uma unidade só: faz-se a marcação na pele, retira o excesso, fecha. No Multiplane Concept, pele, glândula e músculo deixam de ser resolvidos no mesmo gesto e passam a receber, cada um, a sua própria estratégia cirúrgica. Esse texto vai destrinchar, com calma, o porquê isso importa.

O que é o Multiplane Concept

O conceito foi sistematizado pelo cirurgião plástico Dr. Adel Amado Bark Junior, em Curitiba, e publicado em duas edições da revista Plastic and Reconstructive Surgery (PRS) em 2024. A primeira publicação descreve a técnica principal aplicada à mastopexia de aumento, isto é, levantamento de mama com colocação de prótese, com base em 632 pacientes operadas entre 2016 e 2021.[1] A segunda publicação descreve uma extensão do mesmo conceito para criação de novo sulco inframamário e elongamento do torso.[2]

O nome “multiplanos” descreve, de forma literal, como a cirurgia é executada. São três tecidos diferentes, três decisões cirúrgicas independentes, tratadas de forma sistemática. A cicatriz final, em formato de L, é apenas o resultado externo desse trabalho que acontece em camadas. Não é a cicatriz que define a técnica. É a forma como pele, glândula e músculo são pensados antes mesmo de a paciente entrar no centro cirúrgico.

Mais do que uma técnica, a mastopexia multiplanos é um conceito. Esse é o ponto que mais costuma ser mal compreendido quando uma paciente lê sobre “mama em L” pela primeira vez. Dr. Adel Bark Jr., criador do Multiplane Concept

Os três planos anatômicos, em linguagem simples

A forma mais fácil de entender o conceito é pensar na mama como um edifício. Um edifício não fica de pé só pela pintura externa. Existe a estrutura de concreto, existe a alvenaria, e existe o acabamento. Cada uma dessas camadas tem sua função, e nenhuma sustenta o prédio sozinha.

Plano 1: a pele (envelope cutâneo)

A pele é o “acabamento”. Na mastopexia tradicional em T invertido, a paciente fica com uma cicatriz ao redor da aréola, uma vertical descendo da aréola até o sulco e uma horizontal, abaixo, que se estende para os dois lados, inclusive no meio das mamas, no decote. Esse pedaço medial é o que costuma incomodar quando a paciente vai usar biquíni ou um decote mais aberto.

No Multiplane, a pele é tratada com um desenho que termina em formato de L: ao redor da aréola, com um pequeno segmento vertical e um corte horizontal inferior que fica restrito a um dos lados, sem invadir o decote. O segmento medial deixa de existir. Essa é a parte do conceito que aparece na expressão popular “mama em L”.

Plano 2: a glândula (parênquima mamário)

A glândula mamária é o “concreto” do edifício. É ela que dá forma e volume à mama de verdade. No Multiplane, a glândula recebe uma estratégia própria: é remodelada e ancorada para criar uma mama mais projetada e mais estável ao longo do tempo. Esse passo é o que, no longo prazo, sustenta o resultado, não a pele esticada.

Esse é um detalhe técnico que costuma escapar das pacientes na primeira leitura, e que faz toda a diferença depois. Se a sustentação da mama depende só da pele, com o tempo a pele cede e o resultado cai. Quando a sustentação está ancorada na glândula, a forma se mantém com mais estabilidade.

Plano 3: o músculo peitoral (plano profundo)

O músculo é a “estrutura de fundação”. No Multiplane, o peitoral é tratado de forma independente, com a criação de um plano que sustenta a estrutura a longo prazo, com ou sem prótese. Quando há implante, ele entra como parte dessa estratégia profunda. Quando não há, o músculo e a glândula trabalham juntos para manter a forma.

Por que isso é diferente, na prática

Em uma mastopexia tradicional, se a paciente tem a mama caída e quer só “subir”, o cirurgião faz uma marcação que basicamente puxa a pele para cima. O problema é que pele estica. Em um, dois, cinco anos, a forma tende a cair de novo. No conceito multiplanos, o que sustenta o resultado é a remodelagem da glândula e o tratamento do músculo. A pele entra apenas como envelope, com a tarefa específica de produzir uma cicatriz menor e melhor posicionada.

Cicatriz em T invertido versus cicatriz em L: o que muda no biquíni

A pergunta mais frequente sobre essa técnica é, de longe, sobre a cicatriz. Pacientes que já viram fotos de mastopexia tradicional e ficaram preocupadas com o desenho costumam querer entender, em detalhe, o que muda. Essa tabela resume o ponto central.

Cicatriz em T invertido (técnica clássica)
Cicatriz em L (Multiplane Concept)
Periareolar
Periareolar
Vertical, da aréola até o sulco
Vertical, da aréola até o sulco
Horizontal completa, do meio das mamas até a lateral
Horizontal apenas inferior, em formato de L, sem invadir o decote
Cicatriz visível em decotes e biquínis
Sem cicatriz medial entre as mamas
Desenho fixo, padrão
Pode ser personalizado: L tradicional, mini-L ou apenas vertical, conforme o caso

Esse é o detalhe que mais aparece nas conversas pós-operatórias. Liberdade para usar decote em V, para experimentar biquínis sem se preocupar com o segmento medial, para colocar uma blusa de alça fina sem sentir que precisa esconder uma marca. Não é uma promessa de “sem cicatriz”, porque toda cirurgia da mama deixa cicatriz. É um reposicionamento estratégico de onde essa cicatriz aparece.

Para quem o Multiplane Concept é indicado

Um dos pontos fortes do conceito, descrito explicitamente na conclusão da publicação principal, é a versatilidade. O mesmo raciocínio dos três planos serve para situações cirúrgicas muito diferentes. Isso é raro: a maior parte das técnicas de cirurgia mamária se aplica bem a um cenário e mal a outro. O Multiplane foi pensado como um conceito guarda-chuva.

Indicações principais

Quando o conceito se aplica

  • Mastopexia (sustentação da mama caída) sem prótese
  • Mastopexia com prótese de silicone
  • Redução mamária
  • Explante mamário (remoção de prótese)
  • Correção de mama caída pós-amamentação
  • Correção de assimetria mamária
  • Mama tubular ou hipoplasia (em combinação com implante)
O que entra na avaliação

Quando faz sentido

  • Grau de ptose (queda) da mama
  • Quantidade de pele em excesso
  • Volume e qualidade da glândula remanescente
  • Histórico de gestação e amamentação
  • Expectativa em relação à forma e à cicatriz
  • Presença ou não de prótese atual
  • Desejo de combinar com cirurgia de contorno corporal

“Posso fazer mesmo já tendo prótese? E se eu quiser explantar?”

Essa é uma das perguntas mais frequentes na consulta. A resposta curta: sim, dos dois lados. O conceito multiplanos foi desenhado para acomodar tanto a paciente que quer colocar prótese pela primeira vez junto com o levantamento, quanto a paciente que já tem prótese e quer trocar, e quanto a paciente que quer fazer o caminho oposto, retirar a prótese e manter a mama com forma.

No caso do explante, em particular, a vantagem é direta. Se a paciente retira a prótese sem reorganizar os planos remanescentes, a tendência é a mama “cair” no envelope cutâneo, porque o volume que sustentava a forma deixa de existir. Quando o explante é feito dentro do conceito multiplanos, a glândula e o músculo são reorganizados para sustentar a nova forma sem a prótese, e a pele em excesso é tratada com cicatriz em L. É uma cirurgia diferente do simples “tirar o silicone”.

Selo oficial Multiplane Concept Breast
Credencial · Multiplane Concept

Membro oficial: Dra. Giovanna Resende

A Dra. Giovanna Resende fez a formação direto com o Dr. Adel Bark Jr., em Curitiba, em abril de 2026, e aplica a técnica de forma sistematizada no consultório em Goiânia. Saiba mais sobre a credencial.

O que dizem os números do estudo de 632 pacientes

Antes de entrar nos números, uma observação importante: as estatísticas que vêm a seguir são do trabalho do Dr. Adel Bark Jr., criador do conceito. São os dados que aparecem na publicação científica que validou a técnica. Não são números atribuíveis à prática individual de nenhum cirurgião. O que é apresentado no consultório do Casal Resende é o planejamento individualizado para o caso de cada paciente, dentro do mesmo conceito técnico.

Feita essa ressalva, esses são os números que sustentam a credibilidade científica da técnica. Eles vêm do artigo publicado em 2024 na Plastic and Reconstructive Surgery, o periódico mais respeitado da especialidade no mundo.[1]

O estudo, em números

632 mulheres operadas pela técnica entre janeiro de 2016 e julho de 2021.

Idade média de 38 anos, com pacientes entre 18 e 71 anos.

Volume médio de implante de 285 cc, variando de 175 cc a 550 cc, mostrando aplicabilidade tanto em casos de pequeno volume quanto de aumento mais expressivo.

117 g de tecido ressecado em média por mama, variando de 5 g a 550 g, o que confirma a versatilidade do conceito tanto em mastopexia pura quanto em redução.

Acompanhamento de 12 a 84 meses (1 a 7 anos de seguimento). Esse tempo de acompanhamento é o que permite afirmar que o resultado é estável a médio e longo prazo, e não apenas no pós-operatório imediato.

Taxa de complicações totais de 19,30% (10,44% menores e 8,86% maiores), comparáveis às de técnicas já consolidadas na literatura. Toda cirurgia mamária tem uma taxa de complicação descrita, o ponto importante é que a do Multiplane está dentro do esperado para a especialidade.

A conclusão dos autores, citada literalmente, é que a técnica é “versátil e segura, com resultados previsíveis, que permite o tratamento sistemático dos mais diversos tipos de mama”. Essa palavra, sistemático, é importante. Significa que o conceito não foi pensado para um único formato de mama. Foi pensado para resolver, com a mesma lógica, os formatos diferentes que aparecem na rotina de um consultório de cirurgia plástica.

Por que duas publicações na PRS importam

Pode parecer detalhe, mas para quem é da área é um critério objetivo de credibilidade. A Plastic and Reconstructive Surgery é o periódico oficial da American Society of Plastic Surgeons (ASPS), o equivalente americano da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, e é considerada a publicação científica mais influente da especialidade no mundo. Para um artigo ser aceito ali, ele passa por revisão por pares (peer review), ou seja, é avaliado anonimamente por outros cirurgiões plásticos seniores antes de ser publicado.

Ter uma publicação na PRS já é um marcador de qualidade científica. Ter duas publicações sobre o mesmo conceito, em volumes diferentes, mostra que o trabalho não foi um caso isolado, mas uma linha de pesquisa consolidada. A primeira publicação[1] descreve a técnica principal aplicada à mastopexia de aumento. A segunda[2] descreve a aplicação do mesmo conceito multiplanos para criação de novo sulco inframamário e reposicionamento do footprint da mama.

Para a paciente, a tradução prática disso é simples. Quando o seu cirurgião fala sobre uma técnica e existem publicações em periódico revisado por pares descrevendo essa técnica, ela deixa de ser “marketing” e passa a ser ciência. Esse é um critério que vale a pena perguntar em qualquer consulta de cirurgia plástica, sobre qualquer técnica.

Critérios de candidatura

A pergunta sobre quem é candidata à Mastopexia Multiplanos em L é, na prática, uma pergunta sobre quem é candidata à cirurgia de mama em geral, dentro de uma técnica específica. Os critérios cirúrgicos clássicos continuam valendo. O que muda é o desenho técnico aplicado.

O que entra na avaliação presencial

Histórico de saúde geral. Doenças sistêmicas, medicações, tabagismo, cirurgias prévias.

Análise da mama atual. Grau de ptose, simetria, qualidade da pele, volume e distribuição da glândula, posição do sulco inframamário, posição da aréola.

Histórico mamário. Gestação, amamentação, mamografia recente, biópsias prévias, presença ou não de prótese ou cicatrizes anteriores.

Expectativa. O que você quer mudar, o que aceita ou não em termos de cicatriz, sua referência visual de mama natural e estruturada.

Planejamento conjunto. Mastopexia pura, com prótese, com explante, com redução ou em combinação com contorno corporal, é uma definição feita junto com você. O conceito multiplanos é o pano de fundo, mas o desenho é individual.

O que muda na consulta pré-operatória

Quando você chega para uma consulta com uma cirurgiã habilitada no Multiplane Concept, três coisas mudam em relação a uma consulta de cirurgia mamária tradicional. Primeiro, a conversa sobre a cicatriz é mais detalhada: em vez de “vai ter cicatriz em T”, a discussão é “qual o desenho que faz mais sentido para o seu caso: L tradicional, mini-L ou apenas vertical”. O desenho vira uma decisão cirúrgica conjunta. Segundo, a discussão de planos anatômicos entra no vocabulário: você vai ouvir falar em pele, glândula e músculo como camadas distintas, e vai entender que cada uma tem um papel diferente no resultado final. Terceiro, a versatilidade do conceito permite cenários combinados, especialmente nas pacientes pós-gestação que procuram a chamada cirurgia mommy makeover.

Limites do que o conceito resolve, e o que ele não resolve

O Multiplane Concept não é uma solução universal. Ele não elimina a cicatriz, ele reposiciona e reduz. Ele não substitui o exame físico nem a avaliação individual. E não garante resultado idêntico em todas as pacientes, porque resultado de cirurgia plástica depende de fatores anatômicos, de cicatrização individual, de estilo de vida e de seguimento pós-operatório.

O que o conceito faz, com base no que está publicado, é oferecer uma estrutura reprodutível e versátil, que aborda a mama em camadas e tem dados de longo prazo mostrando estabilidade. É uma melhoria estrutural sobre a forma de pensar a cirurgia, não uma promessa de resultado individual.

A pergunta correta na consulta não é “vou ter cicatriz?” e sim “que tipo de cicatriz faz mais sentido para a minha mama, dentro de uma técnica com respaldo científico?”. Quando a pergunta é colocada assim, a conversa fica muito mais produtiva.

Próximos passos

Para entender em mais detalhe como o conceito se aplica a procedimentos específicos, vale a leitura das nossas páginas dedicadas. Mama em L em Goiânia explica o procedimento porta de entrada da técnica. Cicatriz em L aprofunda a parte cicatricial e o que esperar da maturação. Mastopexia com prótese discute o cenário em que o conceito multiplanos se combina com implante. E a página institucional do conceito traz a íntegra das publicações e da credencial.

Se a leitura levantou mais perguntas do que respostas, esse é exatamente o sentido do texto. Cirurgia da mama é uma decisão pessoal, anatômica e técnica ao mesmo tempo. O melhor próximo passo é uma avaliação presencial, em que a sua mama, a sua história e a sua expectativa entram na conversa de verdade.

Referências bibliográficas

Fontes científicas verificadas que sustentam o conteúdo deste artigo.

  1. Bark Jr AA, Minikowski GC, Mujahed IBU. Multiplane L-scar augmentation mastopexy: an individualized approach to muscle, glandular tissue, and skin. Plastic and Reconstructive Surgery. 2024;153(4):801-809. DOI: 10.1097/PRS.0000000000010850. Disponível em PubMed (37335763).
  2. Bark Jr AA, Minikowski GC, Moreto L, Mujahed IBU. Creating a new inframammary fold, raising the breast footprint, and elongating the torso with a multiplane concept. Plastic and Reconstructive Surgery. 2024;154(6):1084e-1090e. DOI: 10.1097/PRS.0000000000011265. Disponível em PubMed (38276955).
  3. Site oficial do Multiplane Concept (Mastopexia Multiplanos em L). Curso e recursos institucionais. Disponível em mastopexiaeml.com.br.
  4. Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Diretrizes e orientações sobre cirurgia da mama. Disponível em cirurgiaplastica.org.br.
  5. Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução CFM nº 2.336/2023, sobre publicidade médica e expectativa de resultado em procedimentos cirúrgicos. Disponível em cfm.org.br.

Pronta para conversar sobre o seu caso?

O ponto de partida é uma avaliação presencial em Goiânia. Quem cuida de você somos nós, a Dra. Giovanna e o Dr. Marcos, e a conversa começa entendendo o que você busca, antes de discutir cicatriz, prótese ou técnica.

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